Blog

Remix: remisturar tudo

30 de novembro de 2010, 16:28

Escrito por marcelotas

BREAKDOWN the video **2010 VIMEO AWARDS REMIX WINNER** from kasumi on Vimeo.

A pororoca digital dos nossos dias trouxe a possibilidade de usarmos todas as sobras das memórias esquecidas na grande geladeira que é a web para reinventar as histórias. Por isso, minha categoria de vídeo preferia na web é o Remix, como o acima, vencedor do Vimeo Awards Remix 2010.

  1. ai claro que não coelhinho da pascoa esiste

  2. po Tas, achei q vc tivesse um gosto melhor, esse remix ai parece um doido trocando de canal numa dessas tv com milhares de canais sem parar. não vi a graça, e olha q eu entendo ingles de boa, imagina quem não entende… mto ruim isso, isso ai venceu o Vimeo Awards Remix 2010 ? q isso mto baixo o nivel.

  3. Seja o que for remix. o importante é a mensagem que isso passa.
    No final, vi que isso é um pesadelo.

  4. maria aparecida jardim de macedo 1 de dezembro de 2010 at 21:47

    Eu amo o programa do CQC. acho todos eles muito gracimhas, esse rapaz que fica ao lado esquerdo do marcelo é um fofo, continue assim rapaz vc. vai longe com o seu formigueiro, assisto vcs. todas as semanas. abraços que Deus continue iluminando vcs. aparecida niterói RJ.

  5. Uma cena de Solo no Peru

    Não peguei o trem de volta para Cusco.
    Nem prossegui até Águas Calientes. Voltei, sempre acompanhando os trilhos, na direção de Ollantaytambo.
    Durante 33 dias, errei pelo Vale Sagrado.
    Se yana significava deixar tudo para trás, agora eu era um. Havia esquecido meu cartão de crédito no cofre do hotel, em Cusco. Depois que o dinheiro acabou, vaguei, a pé, ao longo do Vilcabamba ou me embrenhando nas encostas das montanhas, pedindo comida, dormindo com lhamas e alpacas, sendo expulso de casas como inútil e perigoso, humilhado, agredido e até confundido com foragidos da polícia, principalmente com traficantes de cocaína. Cheguei a ser considerado um temível representante de Fernandinho Beira-Mar no Peru. Não seria má idéia.
    Vi, certo dia, um raio de sol penetrar por uma fresta entre duas montanhas, como se invadisse uma casa através de uma janela muita alta, e julguei ter chegado a Pacaritampu, a Pousada do Amanhecer, onde Manco Cápac nasceu por obra de outro raio de sol. Fiquei deslumbrado assistindo à iluminação do vale feito um renascimento extemporâneo. Creio que se comemorou o Inti Raymi, a festa do sol, que, uma vez por ano, faz de Cusco novamente o “umbigo do mundo” peruano, mas de nada tenho certeza, pois nesse tempo estive totalmente fora de mim, mergulhado num transe, com a mente mais branca do que a neve eterna dos picos soberanos que me cercavam e vigiavam. Em algum momento, disseram-me que, seis meses depois, no solstício de verão, eu deveria beber com meus antepassados para que me ajudassem a ser tão valentes quanto eles.
    Lembro-me de que respondi de forma evasiva.
    “Não é possível.”
    “Por quê?”
    “Eles não têm múmia.”
    “Mas têm restos mortais, não?”
    Devo ter fugido para não continuar a conversa.
    Eu vi danças e feiras, homens trabalhando, alguns mexendo na terra, crianças brincando, mulheres vendendo artesanato em mercados populares, uma festa de cores, pigmentos, temperos, lãs tingidas, roupas típicas, bocas sem dentes, rugas, límpidos sorrisos brancos, garotas na flor da idade, velhos solenes à espera da morte.
    Eu vi um homem morrer e um menino vir ao mundo. Eu vi o sol nascer e se pôr. Eu vi a Lágrima de Sol tornar sagrado o Vale com sua altivez e beleza. Mas vi também a indústria do turismo, com seus cartões de crédito e suas novas hordas em deslocamentos inúteis, se confundir com os rastros do passado, escambo, crenças, imaginários, mitos, deuses e, principalmente, visões do futuro.
    Uma vez, sentei-me no trono do Inca, em Ollantaytambo. Um garotinho, de uns dez anos, bem magricela, de fala espanhola mascada, vestindo uma camiseta do Homem Aranha, gritou para a mãe:
    “Ei, olha o Atahualpa.”
    Um ancião, a quem pedi um prato de um ensopado de batata, me disse, depois de matar a minha fome:
    “Você é turvo.”
    Outra vez, cheguei até a ponte, onde o trem, a cinco minutos de Ollantaytambo, atravessa o Vilcanota. Ali, saído do transe, fiz um balanço completo da minha vida. Depois de muito tempo, pensei no gesto de Céline, jogando-se do Pont des Arts, em Paris, e quis me atirar nas águas do rio sagrado. Os trilhos eram um só caminho com duas direções, o que representava, no mínimo, dois caminhos. Mas eu queria romper o sentido horizontal das escolhas e estabelecer um derradeiro caminho vertical e certeiro: o da morte sem crédito. Seria, com certeza, uma forma justa de saldar a minha enorme dívida com o passado.
    Não sei se me faltou coragem para o salto ou se, de fato, entendi que precisava continuar vivo para ir até o fim na reconstrução do passado que ainda me escapava. Às vezes, eu me sentia como o próprio Vale Sagrado, subitamente iluminado por um raio de sol matinal que se infiltrava por uma janela da alma, acendendo escarpas e terras férteis, para arrancar das trevas pedaços inteiros da minha vida. A noite, porém, voltava a cair, apagando lembranças, e um grande branco cobria as regiões submersas que lutavam para vir à tona e mais ainda os continentes negros que se escondiam em camadas profundas de um esquecimento traumático. Pior mesmo era quando a indiferença me dominava como um grande branco.
    Numa comunidade perdida numa reentrância do Vale Sagrado, perto de Urubamba, vi mulheres preparando a chicha, a bebida sagrada dos rituais incas, fortemente alcoólica, e também a bebida de todos os dias, bem mais suave. O milho era umedecido e enrolado em folhas vegetais para fermentar. Havia um momento do lento processo em que se moía uma parte do milho fermentado, enquanto a outra era mascada por mulheres sentadas numa roda numa solidão coletiva feita de calma, de resignação e de uma estranha paz feita de musgos. Mascavam o grão, sem cerimônia, para ativar o fermento, e o cuspiam em suas vasilhas de argila. Aquilo revoltou o meu estômago sensível e etnocêntrico.
    Marta, uma jovem de feições indiáticas, porém, magra e comprida, percebendo o meu engulho, levantou-se:
    “Beba”, disse, me alcançando um copo de chicha.
    “Não estou com sede.”
    “Você precisa beber chicha para recuperar a sua energia” ela disse, sempre me alcançando o copo.
    “Minha energia?”
    “Qualquer um vê a sua fraqueza.”
    “Não é o meu corpo que está fraco.”
    “Eu sei.”
    “Como pode saber?”
    “Não sou cega nem burra.”
    Foi a única mulher com quem me deitei no Vale Sagrado.
    Eu a amei à luz das estrelas. Seu corpo era, ao mesmo tempo, fresco e muito quente. Sua boca tinha gosto de chicha e de noite escura. Ela me fez gozar com rara facilidade. Eu lhe dei o mesmo prazer.
    Depois, fugi.

    Postado por Juremir Machado da Silva – 01/12/2010 10:10

  6. Time russo

    Até o inculto, mas genial, Garrincha sabia da importância de combinar antes com os russos o esquema de jogo para não ter erro. Acontece que os russos formaram historicamente times espetaculares. Ouso dizer que, no conjunto, os russos foram os melhores de todos os tempos. Tudo bem que o Brasil teve Gérson, Tostão, Pelé, Jairzinho e Rivelino. Os russos tiveram Gogol, Tchecov, Dostoievski, Turgueniev e Tolstoi. Que ataque! Passei a minha adolescência dividido entre Pelé e Tolstoi. A bem da verdade, pois eu nunca minto, salvo em casos de necessidade, eu tive fases de preferência por Tostão e Turgueniev. O anarquismo do autor de “Pais e Filhos” me deslumbrava tanto quanto a técnica refinada de Tostão.

    Não nego, contudo, que Tolstoi é o Pelé russo. Só um craque maior poderia conceber “Guerra e Paz” e “Ana Karenina”. Tolstoi morreu em 20 de novembro de 1910. Faz cem anos. Era de família nobre e cristã ortodoxa. Cedo, perdeu a fé e caiu na orgia, no jogo e nas emoções caras da época. Arrependido, tentou dedicar a sua vida à causa dos camponeses pobres. Descobriu-se escritor. Um escritor genial. A grandeza literária, porém, não aplacou as suas crises existenciais cada vez mais intensas. Renunciou novamente à riqueza. Buscou numa espécie de cristianismo primitivo um sentido para a vida. Acabou excomungado pelo Santo Sínodo russo. Foi um insuperável maldito do bem. Não lhe bastava a felicidade simples. Queria mais: o sentido. A última frase de Ana Karenina fala justamente disso: “Agora possuirá o sentido indubitável do bem que eu lhe sou capaz de infundir”. Literatura de outrora.

    A genialidade de Tolstoi aparece em fórmulas simples e definitivas com esta da primeira frase de Ana Karenina: “Todas as famílias se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. Parece fácil de fazer, não? Tentem. Tolstoi foi infeliz à sua maneira. Teve fama e riqueza. Queria o sentido da existência. Queria crer. Aluno considerado medíocre, muitos críticos entendem que Tolstoi também tinha uma concepção de arte muito pobre. Apostava na clareza do texto e das ideias. Quero transmitir algo. Turgueniev o via como o maior romancista do mundo. Gorki o tinha pelo homem mais complicado do século XIX. Tolstoi era fascinado pelo amor e pela morte. Toda a sua obra, no fundo, resume-se a mostrar ao homem a tragédia da sua condição mortal. Estão achando muito pesado esse papo? Posso falar de Buffy e de Rachel Green.

    Você é adúltera? Pensa em ser? Arde de vontade de “perder-se”. Está cansada da mesmice conjugal? Oportunidades não faltam. Antes de dar o primeiro passado, leia Tolstoi. Combine com os russos para não dar errado o esquema. Só Flaubert conseguiu mostrar uma adúltera com a mesma complexidade de Tolstoi. Paulo Coelho adoraria ser Tolstoi. Refletir sobre o absurdo existencial com profundidade literária. Tolstoi não fez autoajuda. A felicidade para ele estava ao alcance da mão de qualquer um. Bastava descobrir o sentido da vida.

    JUREMIR MACHADO DA SILVA | juremir@correiodopovo.com.br

  7. Produção, edição e criatividade 1000. Adorei Tas, e entrando um pouco no que se refere à música, confesso que já teve muita música que eu achei uma bagaceira, mas que quando as ouvi remixadas eram outra coisa, sem contar que quando remixamos uma música antiga como do Beatles, Queen, ABBA entre outros é como se as reinventássemos e particularmente acho fera quem consegue reinventar uma música, ainda mais se for um clássico dos tempos em que nem planejava ser um feto. :)

    Ps: esse video que vc postou me cheira um certo sonho de um certo careca da TV sabe Tas. Tu conhece?! hahaha espertinho!

    Beijos Dear!

  8. Também gosto desse tipo de música, principalmente por que já não se fazem musicas como antigamente, e esses videos trazem devolta coisas que se perdem ou são esquecidas na net.

    E eu adorei o “A noite é uma criança” ontem, ou hoje? acho que já era hoje! Mas foi demais ver como você era quando tinha cabelo! E também agora sei que você adora tomar banho! UIHDSIUHD.

  9. Remix é bom, principalmente quando o assunto/musica tratado é o que gostamos ou que fez sucesso na epoca, eu por ser dj [vem de berço meu pai tbm é rs] adoro remix de musicas que fizeram sucesso em epocas que eu nem era nascida.
    Tem algumas pessoas tbm que abusam desse negocio de remix, [só entrar no youtube que tem varias "obras de artes" que chegam a nos deixar surdos rs] as vezes não acertam a batida da musica, ou coisa assim, sai cada “inhaca” que deu me livre huahuaha
    Bjos Docinho

  10. A pergunta é inevitável: o que vem a ser pororoca? #medodaresposta

  11. Prefiro chaves =P xD

  12. Muito bacana esse recall Tas!!!

    Meus parabéns…Cara…Assisti o “A noite é uma criança” ontem… FOI BOM DE MAIS!!!!
    Só faltou ter sido ao vivo…Ia ser tão bom poder fazer perguntas pra você =)

    Um forte abraço e parabéns por todos os trabalhos que você vem fazendo!!!

Deixe um Comentário

Aviso aos navegantes: os comentários são parte fundamental de qualquer blog. Eles servem para ampliar, criticar e completar o texto do autor.

No "Blog do Tas", todos os comentários só são publicados DEPOIS de passar por moderação.

NÃO publicamos:

  1. Comentários com palavrões ou agressões gratuitas.
  2. Comentários fora do assunto.
  3. Comentários com auto-propaganda ou propaganda de terceiros.

Se não estiver nas categorias acima, sua opinião será liberada o mais breve possível.

Bem-vindo e obrigado pela participação!

Connect with Facebook

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>